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Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp – Feagri

por Anna Carolina Cardoso Pinheiro

 

Fundada em 1966, a Universidade de Campinas (Unicamp) oferece, atualmente, 66 cursos de graduação, divididos entre as áreas de humanidades, ciências biológicas e da saúde e ciências exatas, tecnológicas e da terra. Nessa última, o curso de engenharia agrícola, iniciado em 1976, se destaca. Segunda faculdade do país a implantar o curso, a Unicamp é a única opção para a formação de engenheiros agrícolas no estado de São Paulo, e considerada a melhor do país. Originada do Departamento de Engenharia Agrícola – que fazia parte da Faculdade de Engenharia de Alimentos e Agrícola (FEAA) – a Feagri, Faculdade de Engenharia Agrícola, surgiu em 1985. Hoje, são oferecidas 70 vagas para o curso que tem duração mínima de 10 semestres.

Por anos o Brasil foi um país essencialmente agrícola. Mesmo com a industrialização e o processo de globalização, o potencial agrícola brasileiro é incontestável. Assim, observa-se nas últimas décadas o crescimento do agronegócio – conjunto de negócios relacionados à agricultura dentro do ponto de vista econômico.  O setor é, hoje, o mais importante da economia brasileira, responsável por cerca de 34% de tudo o que é produzido no país. Nesse cenário, é crescente a demanda por profissionais aptos a auxiliarem o agricultor, desde o planejamento até a comercialização do produto. Um profissional que domine as ciências exatas e biológicas e ainda tenha noções de administração. Um profissional chamando engenheiro agrícola, que alia conhecimentos de agronomia e engenharias civil, mecânica, elétrica e hidráulica.

Mauro José Andrade Tereso, professor da Feagri, explica a criação dos cursos de engenharia agrícola no Brasil, resultado das mudanças impostas pela industrialização, ainda que tardia, brasileira. “Com sua gênese na industrialização, ocorrida em meados dos anos cinquenta, o processo de modernização do nosso país, sem sombra de dúvida, trouxe mudanças para a agricultura nacional, que geraram demandas por novas tecnologias, novos processos de produção e novas formas de organização, tendo como consequência, dentre tantas outras, uma maior especialização dos profissionais ligados às ciências agrárias”, explica Tereso.  

Ainda novo no Brasil, o curso de engenharia agrícola é ministrado por poucas faculdades, de maneira que os poucos formados têm grandes chances de estágio ou emprego imediato. “A esmagadora maioria dos alunos, no momento que encerra o curso, já tem seu emprego. É quase como se o contrato de trabalho viesse anexado ao diploma”, segundo o Prof.Dr. José Teixeira Filho, coordenador do curso de graduação de engenharia agrícola da Unicamp.

As principais áreas de atuação desse profissional, cujo salário inicial gira em torno de oito salários mínimos, são construção rural, irrigação e drenagem, mecanismo agrícola, planejamento agropecuário e pós-processamento. Teixeira destaca ainda a área de logística, ramo novo no mercado que encontra no engenheiro agrícola da Unicamp o profissional ideal para este setor: “muitas vezes as empresas não procuram apenas o engenheiro agrícola, mas o engenheiro agrícola formado pela Unicamp”, justifica o professor, na universidade desde 1985.

Para o aluno do 4o ano Stefan Barradas Podsclan, o corpo docente – formado por 39 professores com titulação mínima de doutorado é um dos diferenciais do curso oferecido pela Universidade de Campinas: “além dos professores terem grande experiência em dar aulas, também abrem portas para os alunos interessados na realização de projetos de pesquisa, que podem começar desde o 1o ano”. José Teixeira Filho ressalta como os alunos têm acesso às inovações tecnológicas em primeira mão, já que os professores participam das principais pesquisas realizadas no país.

A estrutura da faculdade é imensa: ocupa 150.000 m2, entre salas de aula, laboratórios de ensino e pesquisa, e o campo experimental. Podsclan considera os laboratórios “bem equipados, apesar de estarem com tecnologia um pouco ultrapassada. Mas, pelo o que eu tenho notícias, já tem investimentos da própria Unicamp para renovar esses equipamentos”.

Neste ano, além da Semana de Estudos em Engenharia Agrícola (Semeagri), evento realizado anualmente para os acadêmicos da Feagri, a Unicamp sediará o XXIII Coneeagri – Congresso Nacional de Estudantes de Engenharia Agrícola.  Os eventos serão realizados concomitantemente, a fim de agregar mais conteúdo aos congressistas. Consideradas pela Unicamp e pela coordenação da Feagri atividades complementares de grande importância à formação dos futuros engenheiros agrícolas, acontecerão durante a última semana de julho.

Prestes a completar 25 anos de história, a Feagri já está preparando as comemorações, que devem incluir um livro – apresentando os pontos de vista dos professores, alunos e funcionários. Próxima de completar bodas de prata a faculdade tem muito que comemorar: já formou 574 alunos, incluindo profissionais mundialmente conhecidos, como o responsável mundial pelos recursos hídricos da Coca Cola e o dono da Ecobrisa.  

(matéria escrita em 04/05/2009, para a disciplina de Jornalismo Multimídia I)

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