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A saga de Yuri Orlov

por Anna Carolina Cardoso Pinheiro

“Existem mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. É uma para cada doze pessoas no planeta. A única pergunta é: como armar as outras 11?”. Com essas frases de impacto começa “O Senhor das Armas”, filme lançado em 2005 pela Alpha Filmes. Com o orçamento de 42 milhões de dólares, a trama dirigida por Andrew Niccol, também roteirista, é narrada em primeira pessoa, pelo próprio Yuri Orlov – personagem baseado em cinco traficantes reais.

O personagem de Nicolas Cage é um ucraniano que imigra para os Estados Unidos junto com a família, fingindo ser judeu – a primeira das muitas fraudes cometidas por ele. Na América, Yuri trabalha no restaurante dos pais e conhece, ainda que por outdoors, a mulher de sua vida: Ava Fontaine (Bridget Moynahan). Desiludido e após testemunhar um assassinato, o protagonista chega a uma conclusão: matar, tal qual comer, é uma necessidade humana.

Para entrar no mundo do tráfico de armas, Yuri conta com a ajuda do irmão mais novo Vitaly, interpretado por Jared Leto. Infiltrados nos exércitos, tendo acesso ao armamento que fica nos países após o fim das batalhas, os Orlov se dedicam ao abastecimento de armas para países africanos e do Oriente Médio. Com o dinheiro oriundo da venda de armas, consegue um encontro com Ava, que se apaixona por ele, pensando ser dono de uma empresa de transportes aéreos. A paixão evolui para casamento e dessa união nasce Nicolai. Mesmo um pai ausente, em alguns momentos fica evidente o amor que Yuri tinha pelo filho e a preocupação com que este vivesse longe das armas, mesmo as de brinquedo.

Chama a atenção também a posição de Ava. A essa altura a modelo percebera que o marido não era um empresário e fez dois pedidos: que não contasse a ela o que realmente fazia e que jamais arriscasse a vida da família.  Ela é importantíssima para a trama, talvez a única pessoa que Yuri tenha realmente amado. E é somente quando o agente da Interpol Jack Valentine (interpretado por Ethan Hawke) percebe isso que o protagonista começa a se sentir ameaçado.

Trata-se de um filme longo (são mais de duas horas de exibição), com um tema forte e polêmico, que ainda assim consegue ter uma cota de humor, graças ao sarcasmo e a ironia. Dizer que Orlov só não aceitou os cheques de Bin Laden porque estes voltavam, é um exemplo disso.

Destaque para a escolha dos atores. Como afirma Silvio Pilau, crítico de cinema e editor do Cine Players, um dos melhores sites de cinema brasileiro, “além de ser um ator talentoso, Nicolas Cage possui uma imagem extremamente benévola com o público. Este fato é fundamental para que o espectador não sinta repulsa pelo personagem”.

Impressionante a força das imagens e das frases que iniciam e terminam a película. No começo, se vê a trajetória da bala – de como foi produzida até a morte de uma criança. No fim, Nicolas Cage caminha sobre milhares de cartuchos usados, e conclui: “Sabe quem vai herdar o mundo? Os traficantes de armas. Porque todo mundo está muito ocupado matando uns aos outros”.

(resenha escrita em 16/11/2009, para a disciplina de Jornalismo Multimídia II)

Comentários em: "A saga de Yuri Orlov" (3)

  1. Nem preciso dizer que a resenha ficou excelente, ne? hahahah

    Sinto que essa resenha foi feita em homenagem aos alunos de RI, que são responsáveis pelos melhores rolês contigo, claro. haahaha

    Realmente o filme é impactante do começo ao fim, não tem como duvidar disso.

    O que me chamou bastante atenção foi a respeito da escolha de Nicolas e sua imagem de “bonzinho” que ele tem com o público. Eu fiz um flashback ultra rápido dos filmes do Cage e realmente em todos os papeis dele, ele é o “heroi” por mais frio e cruel que o personagem possa ser.
    Uma prova disso é um dos meus filmes prediletos: Con Air, nesse filme ele é tido como um dos bandidos mais perigosos, mesmo tendo agido em defesa própria (não vou contar o resto para que você possa assistir hahaha).

    Adorei a resenha, assim como todos os seus outros textos!

    Beijos

    PH

    • Essa resenha foi escrita há mais de um ano… E num dia muito engraçado: assistimos ao filme e tivemos apenas uma hora para escrever uma resenha de 3000 caracteres! Todo mundo desesperado e isso foi o melhor que consegui =]

      O tempo não permitiu que eu fosse muito além e acabei me guiando pela opinião do crítico e o meu próprio sentimento – não conseguia ter raiva de Yuri!

      Agora com relação aos RIs…
      Todos os posts são dedicados aos meus amigos, àqueles que me incentivam e, mesmo sem perceber, inspiram-me! Então sim, é em homenagem de vocês =]

      Obrigada pelas palavras e pelo carinho de sempre!

      beeeijo

  2. raíssa disse:

    esta de parabens pela resenha!

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