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Não precisa mais do diploma. E agora?

Um ano e meio após o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo pode-se avaliar o que mudou com a decisão do Supremo

 

Anna Carolina Cardoso Pinheiro

 

Por falta de quórum, a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) nº 33/09, que restabelece a obrigatoriedade do diploma de graduação em jornalismo para exercer a profissão, foi adiada pela terceira vez. Em trâmite no Senado desde setembro, a chamada PEC do Diploma deveria ter sido votada no dia 16 de novembro. Para a Constituição ser modificada, como sugere o autor do projeto, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), é preciso que, no mínimo, 49 dos 81 parlamentares sejam favoráveis.

Por enquanto, quem mais sofreu o impacto da queda da lei que, em vigor desde o período ditatorial, exigia a formação em Comunicação Social para trabalhar na área, são as faculdades privadas. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2009, quatro faculdades já cancelaram seus cursos de jornalismo, alegando que haveria diminuição na procura: as Faculdades de Campinas (Facamp), o Centro Universitário Senac, Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e a Universidade de Uberaba (Uniube) cancelaram a abertura de novas turmas.

Em algumas faculdades públicas, no entanto, a procura aumentou. No vestibular mais concorrido do país, por exemplo, o número de candidatos a uma das 60 vagas para a carreira de Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) subiu de 1957 em 2009, para 2077 em 2010, um aumento de mais de 6% na procura.

Na contramão, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) anunciou que iniciará seu curso de Jornalismo agora em 2011. O diretor de graduação da instituição, Alexandre Gracioso, justifica que a não obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão não diminuirá o número de interessados em fazer um bom curso universitário na área – e que a ESPM pode ser uma boa alternativa para essas pessoas. “Para atuar com Publicidade não é preciso ter diploma e a procura é imensa. Não vemos por que será diferente com o Jornalismo”, explica.

Professores e sindicatos acreditam que não haverá mudança de postura radical entre os meios de comunicação: aqueles que, como o jornal Folha de S. Paulo, já não exigiam a graduação em Jornalismo, continuarão agindo dessa forma, mas a maioria dos veículos ainda opta por jornalistas diplomados e treinados por faculdades reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).

Já alunos, e principalmente seus pais, não têm tanta certeza disso. A desistência do curso e a redução da relação candidato/vaga nas instituições particulares são prova disso. Thaís Helena Ferreira não desistiu da carreira com que sempre sonhou, mas antecipou sua entrada no mercado de trabalho. Em tempos em que o diploma perdeu um pouco do peso na hora da contratação, Thaís vê no estágio a grande chance de alçar um bom emprego. “Amo essa profissão, e é o que eu quero fazer para sempre. Mas me preocupo muito com o futuro e acho que terei mais chances que alguns colegas por já estar trabalhando, por estar acumulando experiência além do diploma”.

Marco Antônio Alvarez é pai de uma estudante de jornalismo e achou vergonhosa a decisão do STF. Para ele, é um contrasenso que as demais profissões exijam cada vez mais qualificação, apliquem exames para ver se, após a formatura, o futuro profissional realmente está apto a ingressar no mercado de trabalho, e o jornalismo vá contra a maré, deixando de exigir a graduação na área. “Como pai eu fico numa situação complicada: apoio minha filha, claro, mas temo pelo futuro dela. Receio que qualquer blogueiro se apresente como jornalista e diminua as chances dela nesse mercado que já é muito competitivo e um tanto quanto saturado”, lamenta Alvarez.

Ainda não foi definida uma nova data para a votação da PEC, mas em sondagem não oficial realizada pelo Conselho Federal de Jornalismo (Fenaj), 48% dos senadores que apoiariam o projeto. O presidente da Fenaj, Sérgio Murillo, já afirmou, em entrevista para o Portal Imprensa, que existe um “lobby” de entidades que são contra o projeto, e que representariam o interesse dos empregadores, como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ).

Outra proposta com o mesmo objetivo, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), também aguarda votação no Plenário. Em julho, a PEC 386/09 foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados.


Comentários em: "Não precisa mais do diploma. E agora?" (1)

  1. Eu acho o seguinte: A extrema corrupção praticada e estabelecida pelos governos internacionais que invadiram a pátria brasileira na segunda guerra mundial, e pós guerra, chegou ao limite máximo que deixou os políticos e os religiosos no bico do corvo e não sabem o que fazem e nem o que dizem. Muitos querendo misturar o meio político com a religião, entrelaçado com a corrupção, chegam ao ponto de censurar e até matar jornalistas para abafarem notícias que deveriam ser mostradas para o povo. Caso prático: O Lula lutou tanto para pegar a presidencia e, quando conseguiu, caiu nas mãos dos ditadores internacionais e não fez nada para o país, só viajou, e sem saber os por quês das tais viajens. Façam uma retrospectiva de todas suas viajens e tentem me responder:
    O que o presidente do Brasil foi fazer na Líbia e nos paises arabes no início do seu governo?
    Se a Constituição Federal nos da a liberdade de expressão, para ser jornalista, entre outras profissões, o pretendente tem que ter capacidade e ciência para saber o que está transmitindo em sua notícia, e não ter o diploma. A responsabilidade da notícia, fica, e é “exclusiva” da empresa jornalistica.
    Tem capacidade? Monte seu jornal, seu blog, fuçe nos acontecimentos do dia-a-dia e mostre ao povo. Você vai ver que os ditadores internacionais infiltrados no poder público e nas religiões do Brasil, irão te perseguir para fazer-te calar a verdade. Se você tiver tendência para a prática da corrupção, você verá seu jornal crescer e crescer transmitindo notícias que calam a verdade e coisas bobocas como vemos na imprensa que outros o fazem colocar.
    Pergunte para o CQC da Band. Pergunte para o jornal da globo. Pergunte pro jornal folha de São Paulo, e etc.
    Que tal você fazer uma matéria junto comigo. Tema: Por que que a Band, a Record, o SBT, a Globo não mostrou o fim dos tempos como deveria ser mostrado para o povo.
    Um abraço!

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