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A ementa da disciplina de Jornalismo Multimídia IV previa a análise dos sites que foram finalistas do Online Journalism Awards 2010 – premiação anual que homenageia a excelência no jornalismo online. O prêmio é concedido pela ONA (Online News Association) e a Escola de Comunicação da Universidade de Miami e, pela primeira vez, nesse ano um site brasileiro, o G1.com, ficou entre os finalistas. Na edição de 2010, os candidatos disputaram 14 diferentes categorias, das quais analisamos oito: General Excellence in Online Journalism, Breaking News, Specialty Site Journalism, Multimedia Feature Presentation, Online Video Journalism, Online Topical Reporting/Blogging, Online Commentary/Blogging e Outstanding Use of Digital Technologies.  A dinâmica era a seguinte: a classe se dividiu em trios e organizou seminários, nos quais eram apresentados as categorias acima mencionadas, os finalistas de cada uma delas e qual dos sites foi o vencedor. As apresentações aconteceram entre os dias 07 de outubro e 18 de novembro do ano corrente e o grande objetivo dessa atividade era proporcionar aos alunos a chance de conhecer o que de melhor vem sendo produzido nesse ramo do jornalismo que tem crescido a cada dia: o jornalismo online.

Como está a situação atual do jornalismo online?

 

A análise dos sites finalistas do Online Journalism Awards 2010 reforça quais os dilemas e desafios ainda enfrentados

Anna Carolina Cardoso Pinheiro

Embora cada categoria tenha suas particularidades, os pontos discutidos em cada seminário em muito se assemelhavam. As subcategorias, por exemplo, mostraram-nos a diferença entre um site micro, small, medium, large e student, nas quais não era apenas o número de pageviews que as diferenciavam, mas também o conteúdo e o enfoque de suas reportagens. A única categoria na qual micro sites concorreram foi justamente a mais concorrida, General Excellence in Online Journalism, e todos os três finalistas eram sites de instituições sem fins lucrativos. Como páginas regionais, assuntos cotidianos como saúde e educação eram maioria e a população participava ativamente, por se sentir diretamente envolvida com o conteúdo das matérias.

Essa mesma tendência foi observada pelos sites que concorreram na subcategoria small de todas as categorias analisadas. Embora a característica seja mais marcante na categoria Online Commentary/Blogging, por se sentirem parte da reportagem, sofrerem diretamente as consequências do que é relatado, a população local participa ativamente. Um dos finalistas na categoria General Excellence in Online Journalism, o Voice of San Diego, definiu bem o objetivo da cobertura local: “não publicamos uma história a não ser que nós achemos que podemos retratá-la melhor do que todos os outros, ou que ninguém mais a esteja cobrindo” – o que os leva a cobrir o que de mais importante acontece na região de San Diego, deixando que meios de comunicação maiores informem seus leitores mais consistentemente sobre o que mais acontece no país.

Já os sites large, mesmo sendo de grandes grupos, que também mantêm outros meios de comunicação e teriam como, assim como faz a página do jornal brasileiro O Estado de S.Paulo, por exemplo, apresentar tanto conteúdo regional (edição São Paulo), quanto global (edição Brasil), isso não ocorre. O internauta precisa visitar dois sites para saber o que acontece em seu estado e o que acontece em seu país. Para os sites maiores havia ainda uma maior expectativa quanto o conteúdo multimídia, afinal a equipe é grande, diversificada e existe um bom arquivo de apoio.

O maior dos dilemas do jornalismo online

O consumidor de informação online está disposto a ler grandes textos, ou o que o leva à tela é justamente a pressa por uma informação rápida? A internet é hoje o veículo que costuma dar a informação em primeira mão – é possível ser o primeiro e o melhor a fazê-lo? É essa a maior indagação no que diz respeito ao jornalismo online. Muitos são unânimes em dizer que as grandes reportagens devem ser exclusividade de jornais e revistas… Mas há quem discorde e faça diferente: o Politcs Daily, finalista pela categoria large da Online Commentary/Blogging, prioriza o bom texto e acredita que se a matéria cumprir o seu objetivo de explicar determinado acontecimento ao leitor, mesmo que o resultado final seja uma infinidade de caracteres, o internauta lerá.

Mesmo no site vencedor por essa categoria, a página da rede de televisiva de esportes ESPN, investiu em matérias investigativas, mais longas e trabalhadas, o que chega até a destoar do padrão do jornalismo esportivo.

Ainda assim, o forte do jornalismo online é a cobertura de breaking news, do que está acontecendo no momento e precisa de atualização constante e era, inclusive, uma das categorias. No que diz respeito às grandes coberturas de matérias quentes, a maior tensão acaba sendo a oposição entre o tempo real e a pós-produção (edição). A cobertura bem realizada dos eventos é comum a todos os concorrentes, o que nem sempre aconteceu com relação à edição. Passada a notícia, não são todos os sites que fazem um fechamento, uma reunião das informações mais relevantes a fim de facilitar uma futura consulta ao arquivo de notícias. As informações ainda estão lá, disponíveis, mas desorganizadas, dispersas – sinal da falta de pós-produção.

Um site que não participou da premiação, mas foi usado como parâmetro por um dos grupos é o espanhol Marca, que fez a cobertura em tempo real da Copa do Mundo de 2010. Nesse quesito da pós-edição, além dos recursos multimídia, o site se destaca, mantendo o banco de dados completo (local dos jogos, escalação dos times, estádio, número de cartões etc) e de fácil consulta. Trata-se de uma medida bastante simples, mas muitas vezes esquecida – é tão grande a preocupação com o que é ‘quente’, que o que passa a ser ‘frio’ é deixado de lado, mesmo faltando uma etapa.

A notícia não é mais exclusividade do Jornalismo

Em tempos de blogs e compartilhamento de informações via Twitter, o jornalista nem sempre é o primeiro a dar a notícia. A democratização da informação, tanto para consumir como para compartilhar/distribuir é marca dos nossos tempos.

Soma-se a isso as novas técnicas de crowdsourcing que permitem que o jornalista escreva sua matéria com  o auxílio de outras pessoas pela internet. Cada vez mais comum é a opção de ‘Você repórter’, que também está presente no Brasil. O internauta tem a chance de ter sua foto, vídeo e/ou texto publicados pelo veículo. O resultado final costuma ser proveitoso, já que o usuário apresenta uma visão, um enfoque diferente de um evento já coberto pela mídia, ou ainda acrescenta uma pauta que não fora pensada pela equipe do site. A página da CNN é uma que oferece essa opção aos internautas.

Há ainda os blogueiros, que muitas vezes dizem-se jornalistas. Com eles, a convivência não é tão pacífica já que, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal de não mais ser exigido o diploma em Jornalismo, quem tem seu próprio site de notícias pode representar uma ameaça no mercado de trabalho.

O jornalismo online combina, com maestria, conteúdos ‘quentes’ e ‘frios’. A grande quantidade de retrancas e a possibilidade de recontar, com o auxílio da tecnologia, algo que já aconteceu, como a chegada do Homem a lua, são responsáveis por isso.

Os sites que concorreram ao Online Journalism Awards dividiam-se basicamente entre as organizações sem fins lucrativos e os de outros veículos, como rádio, TV ou jornal e revista. Mais do que o arquivo foi a equipe quem fez a maior diferença – o site da ESPN pertence a uma rede de televisão, mas nem por isso usou muitos vídeos, mas o grande número de pessoas que estavam por trás das câmeras garantiram reportagens muito bem elaboradas.

Muito conteúdo, pouca inovação

A grande maioria das páginas analisadas ainda segue aquele modelo clássico do New York Times: página branca e muito texto, escrito em preto. Mas há sites bastante inovadores, como o We Choose the Moon e, surpreendentemente, o próprio New York Times, que fez um fantástico infográfico para acompanhar a mancha de óleo no oceano. A questão das redes sociais não está sendo, creio eu, aproveitada ao máximo pelos sites analisados. Na grande maioria deles a opção de compartilhar inclui apenas Twitter e Facebook – os mais populares. O que causou estranhamento foi que sites brasileiros dão muitas outras opções, mesmo com o compartilhamento não sendo ainda tão utilizado no Brasil. Acredito que, nos próximos anos, será acrescentada uma categoria que avalie o uso das redes sociais.

A internet já avançou muito de 1995 para cá, mas a influência do impresso ainda é muito forte. Os recursos multimídia podem ser muito melhor aproveitados. Os sites de rádio, por exemplo, poderiam produzir podcasts. A página sobre tecnologia da CNN, vencedora na categoria large da Online Topical Reporting/Blogging utiliza apenas vídeo, foto e texto, enquanto anuncia dia a dia o lançamento de novos softwares e ferramentas.

O trabalho de Jornalismo Multimídia IV realizado nesse segundo bimestre afinou nosso olhar crítico e apresentou-nos alguns dos sites noticiosos mais importantes do mundo. As dificuldades encontradas não foram poucas, indo desde o idioma (por se tratar de uma premiação norte-americana, a esmagadora maioria dos finalistas era em inglês), ao design, muito diferente do qual nós brasileiros estamos acostumados, que se assemelha aos grandes portais. Notamos ainda como esses importantes sites influenciam os brasileiros, de modo que nós conseguimos, em alguns casos, identificar um site equivalente no Brasil.

O que mais chamou minha atenção, no entanto, foi a sede que nossa geração, que cresceu conectada às redes sociais, tem de recursos de compartilhamento e interação com as principais redes. O Facebook, por exemplo, que ainda não tem muitos adeptos no Brasil já incutiu em nós o botão ‘curtir’ de tal forma que quase nos sentimos incomodados por não aparecer essa opção em boa parte dos sites analisados. Sede semelhante a esta temos por recursos multimídia. Pareceu-nos, em alguns momentos, que um site finalista na categoria Outstanding Use of Digital Technologies, por exemplo, não tivesse um único infográfico.

Destaque para os sites voltados para o jornalismo investigativo, maioria entre os finalistas, o que pode significar que o meio online também suporta reportagens mais longas e completas.

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