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Extenso e de difícil interpretação, o primeiro capítulo de Raízes do Brasil (1936), escrito por Sergio Buarque de Holanda, foi uma das leituras obrigatórias

Muito mais que pai de Chico Buarque, Sérgio Buarque de Holanda é referência em cultura brasileira

do quarto – e último – bloco da disciplina de Cultura Brasileira. O livro foi o primeiro dos muitos que viriam e fariam de Buarque de Holanda mais escritor do que jornalista e crítico literário, funções que desempenhava até então.  O trecho discutido fala sobre a Península Ibérica, mostrando como a América tem traços de seus colonizadores, Portugal e Espanha. Os problemas enfrentados no Brasil tinham, para o autor, suas raízes ainda na história colonial: a falta de organização social que marca o início de nossa história, por exemplo, é apontada como uma das razões do uso frequente da violência; a escravidão deu uma visão de que o trabalho não era valorizado, o que motivava as pessoas a procurarem “prosperidade sem custo”, movidas por um espírito aventureiro e quase que predatório, como a mineração.

Para Sergio Buarque de Holanda, o brasileiro pode ser definido como “homem cordial”, ou seja, que somos guiados por nossas emoções, que agimos pelo coração, priorizando as relações pessoais e todo o seu subjetivismo às leis, sempre objetivas e imparciais. O livro de Holanda destoou dos demais escritos na mesma época por tentar explicar a essência do brasileiro e, assim, auxiliar no processo de busca de uma identidade nacional, o que vinha sendo construído desde a década anterior, com a Mostra de 22, por exemplo, da qual o autor fez parte, inclusive. Mais uma vez, somos expostos ao determinismo – assim como em Os Sertões (1902), Raízes do Brasil reforça a ideia de que o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico.

O primeiro capítulo de Raízes, intitulado Fronteiras da Europa, destaca como os países Ibéricos distinguiam-se das demais nações europeias, o que, para ele, é uma das razões do pioneirismo nas navegações. Alegando que Portugal e Espanha não tinham uma hierarquia feudal muito enraizada, Sergio Buarque explica que a burguesia desenvolveu-se mais rapidamente nesses países. Ainda defendendo a mentalidade da burguesia lusitana, o autor afirma que a nobreza portuguesa era flexível, de mentalidade moderna, em suas palavras, possibilitando que houvesse igualdade entre os homens.

A bibliografia básica para o bloco Nacionalismo e Branqueamento incluía ainda dois capítulos de Preto no Branco (1976), de autoria do historiador norte-americano Thomas Skidmore e o filme Macunaíma (Brasil, 1969), dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Mais uma vez o conteúdo abordado relaciona-se com o que já fora estudado durante esse semestre de Cultura Brasileira. Um bom exemplo é o personagem-título do filme, inspirado em livro homônimo de Mario de Andrade, publicada em 1928, que em muito se assemelha ao Leonardinho Pataca, personagem de Memórias de um Sargento de Milícias (1854), escrito por Manuel Antônio de Almeida. Ambos são anti-heróis de nossa literatura, ao mesmo tempo ingênuos e espertos, buscando levar vantagem em tudo para, apesar das dificuldades, conseguir sobreviver. É uma importante discussão sobre algo já abordado no bloco um da disciplina: o jeitinho brasileiro.

Caracterizado pela frase “Ai, que preguiça” – e sendo o som “aique” o equivalente indígena para preguiça -, Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A película, aliás, começa com o nascimento de Macunaíma que, sempre movido pela moleza, só começou a falar aos seis anos de idade. O filme, assim como o livro, apresenta a narrativa de maneira não linear, característica do movimento antropofágico em curso na época em que Mario de Andrade concebeu a obra.

Criado por Monnteiro Lobato, o persongem Jeca Tatu fez sucesso nos cinema, com os filmes de Mazzaropi

Assim como Macunaíma, outro personagem movido por essa preguiça permanente foi criado por Monteiro Lobato em 1918: o Jeca Tatu. Depois do sertanejo de Euclides da Cunha e do índio de Mario de Andrade, com Lobato o brasileiro era representado pela figura do cabloco. Adaptado para o cinema por Mazzaropi, Jeca Tatu, tal qual Macunaíma, conta com mais sorte que juízo para sobreviver e, apesar de caricato, mostra a exploração a que nosso povo sempre foi submetido, assim como o pouco caso das autoridades.

(resenha escrita em 08/11/11, para a disciplina de Cultura Brasileira)

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